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A Deliciosa Farinha D’água de Bragança!

Torrada, Fermentada e Tradicional!

 

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A tradicional farinha paraense, que já foi premiada mundo afora, é chamada de Farinha D’água de Bragança. O nome acusa sua origem, o município que fica a quase 200 km de Belém, a capital do estado. O município de Bragança é centenário e uma das regiões mais privilegiadas culturalmente em todo o Brasil. De festas religiosas, tradições da cultura popular à riqueza da gastronomia. Fica na região nordeste do estado, já próximo ao litoral paraense. Margeada pelo rio e próxima do mar, Bragança é também um dos grandes polos pesqueiros do Pará.

 

Parte importante das tradições da região vem da produção de farinha de mandioca. Bragança deu nome à uma variedade de farinha de mandioca, não atoa: é a maior referência na produção da “farinha boa”. As técnicas tradicionais, do trato da mandioca à torra, fazem da Farinha de Bragança um tesouro da gastronomia, crocante, de cor amarela (natural, em função da variedade de mandioca), leve e saborosa.

 

É perfeito fazer uma farofa  com a Farinha de Bragança (clique aqui e veja a receita), além de outras receitas, como um Cuscuz feito com a farinha hidratada (clique aqui e veja a receita) ou mesmo pra empanar (clique aqui e veja o vídeo dessa receita).

 

Pra chegar nessa farinha incrível, a mandioca é fermentada em água (por isso “d’água”) e, após moída, sua massa é lavada com água diversas vezes para retirar o excesso de goma (o amido da mandioca) e assim lhe conferir leveza e crocância. Mas, não se iluda, o processo, que parece simples, é cheio de nuances que formam a tradição da “farinha boa”, que passa de geração em geração, apesar de não despertar tanto o interesse das gerações mais novas.

 

O resultado é tão bom que nas feiras populares é possível encontrar placas dizendo que uma farinha foi feita “perto de Bragança”, para conferir um valor adicional a outras farinhas, nem tão originais assim.

 

Um dos produtores mais tradicionais da região, o Seu Bené (Benedito Batista da Silva) é um dos mestres na produção de farinha: um agricultor que adquiriu técnica excepcional pra produzir a farinha e que passou a dedicar sua vida a ensinar outros produtores a fazerem a “farinha boa”. Não atoa, Seu Bené já foi reconhecido, premiado, reconhecido de diversas formas como raramente se faz a um mestre da cultura popular no Brasil. É mais que merecido!

 

Um dos propulsores desse reconhecimento, que mais do que a um produtor, é o reconhecimento de uma tradição, foi o documentário/curta metragem feito pelo Instituto Maniva, chamado de O Professor da Farinha, onde parte dessa história é contada pelo próprio Benedito (clique aqui para ver o vídeo no youtube).

 

Além de Seu Bené, a região de Bragança-PA possui dezenas de famílias produtoras da Farinha D’água de Bragança e consumir esse tesouro da nossa cultura alimentar é uma das formas de apoiar e incentivar que essas famílias e suas gerações continuem esse trabalho tão rico e tão importante pra que o Brasil se reconheça e valorize suas tradições e cultura.

 

Hoje, o papel da Manioca é não só comercializar produtos como a Farinha de Bragança, mas também apoiar o produtor (através do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores). Assim, acreditamos que é possível encurtar distâncias, seja entre produtor e consumidor, como entre o Brasileiro e a sua cultura. Chefs como Bel Coelho e Alex Atala são alguns dos premiados cozinheiros brasileiros que também olham para os produtos de origem como uma forma de expressar a nossa cultura através do paladar e é nisso que acreditamos!

 

Para saber mais sobre a Farinha D´água de Bragança, clique aqui e leia uma matéria do caderno Paladar, do Estadão.

 

Para comprar a Farinha D´água de Bragança, clique aqui.

 

Escrito por Paulo Reis, Manioca.