O inimigo que vem do oriente

Aos fãs de comida japonesa: cuidado com o shoyu! O hábito de mergulhar sushis, nigiris e outros pratos típicos no molho pode trazer sérios riscos à saúde do coração e também provocar aumento de peso. Isso porque ele é uma bomba de sódio, capaz de promover doenças cardiovasculares e reter líquidos do corpo.

“Algumas marcas chegam a apresentar 64shoyu6 mg de sódio por 10 ml (uma colher de sopa), sendo que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o consumo não ultrapasse 2 g de sódio por dia”, alerta a nutricionista e gerente administrativa do restaurante japonês by Koji Marcia Soares, que pede atenção especial a quem já apresenta problemas que podem ser agravados com o alto consumo de sódio. “Deve ser consumido moderadamente por todos, mas especialmente por aqueles que apresentam hipertensão arterial ou retenção hídrica”.

O shoyu, além de ser usado direto na mesa para temperar sushis e sashimis, também está presente no preparo de diversos pratos quentes, entre eles, o yakissoba. E o que mais alarma nessa alta quantidade de sódio é que poucas pessoas maneiram durante o consumo e, naturalmente, irão ingerir outros alimentos com sódio durante o dia, aumentando e muito essa soma.

Portanto, na hora de comer, é preciso ter alguns cuidados. “O correto é colocar apenas uma pequena quantidade no pratinho, evitando assim o consumo excessivo. Além disso, dar apenas uma leve passada do peixe e não mergulhá-lo completamente. Também evite o contato do arroz com o molho, pois ele suga o líquido e o consumo aumenta”, ensina a especialista, que dá um exemplo de como evitar o contato do arroz dos nigiris com o shoyu: “Se a pessoa tiver um pouquinho de habilidade, consegue virar o nigiri de ponta cabeça e dar uma leve pincelada do peixe no shoyu sem encostar o arroz, ou então pode pegar com a mão mesmo, que também é correto e evita acidentes”.

Valor calórico

Existem três tipos de shoyu mais comuns: tradicional, suave e adocicado. Cada um possui uma composição diferente. O primeiro, em geral, conta com ingredientes como soja, trigo, sal, álcool, água. Já o suave leva água, sal, soja, milho, açúcar, xarope de glicose, corante caramelo e conservador sorbato de potássio; enquanto o último pode ter açúcar, água, soja, trigo, sal, xarope de glicose e vinho. O valor calórico deles varia de 7 kcal a 26 kcal por colher de sopa, sendo o adocicado o que mais apresenta calorias.

Vale o alerta da especialista: os shoyus que não contém glúten podem ser consumidos por quem possui doença celíaca. Já os que têm trigo em sua composição são contraindicados para esses casos.

E o light?

Pode ser melhor escolher pelo light, mas nem sempre essa é a melhor opção. Isso porque tudo depende da marca do produto. “O shoyu light apresenta menos sódio que o normal, comparando produtos da mesma marca. Contudo, se compararmos marcas diferentes, isso pode não acontecer”, conta Marcia.

Um exemplo é quando comparamos o adocicado da marca X com o light da marca Y e percebemos que o adocicado possui 225 mg de sódio por 10ml, enquanto o light possui 380 mg de sódio por 10ml. Nesse caso, o light apresenta mais de 100 mg a mais de sódio, o que não significa nenhuma vantagem em relação ao tipo adocicado.

Mas mesmo encontrando o menos calórico e com menos sódio entre as marcas, a nutricionista chama atenção para o consumo, que também deve ser restrito. “Não é porque é light que o consumo está liberado, apenas indica que a quantidade presente é menor, mas mesmo assim deve ser consumido com moderação”.